"O próprio Comando Vermelho pagaria mais para colocar as mãos nele!" — foi a resposta fria de Peixão ao recusar pagar R$ 30 mil pela vida de Helminha. Cria do Complexo da Penha, Helman Júnior traiu sua facção de origem, migrou para o TCP e liderou ataques sangrentos contra a própria comunidade onde cresceu. Além de invadir a Vila Cruzeiro, passou a debochar e ostentar armas nas redes sociais, virando o alvo número um dos antigos comparsas. Caçado em um hotel com a namorada por policiais corruptos, virou moeda de troca, foi vendido aos rivais e sofreu uma punição brutal como exemplo.
Regiane saiu da escola de bicicleta e não voltou para casa. O que aconteceu nas horas seguintes terminou em um crime que chocou o Distrito Federal.
Na noite de 17 de abril de 2023, Regiane da Silva Oliveira, de 21 anos, saiu da EJA, em Planaltina, no Distrito Federal, pedalando de volta para casa. Ela estava a caminho quando foi abordada por Sérgio Alves da Silva, que estava armado com uma faca.
O que inicialmente seria um roubo se transformou em um sequestro que durou mais de 12 horas.
Segundo a investigação, Sérgio tomou a bicicleta de Regiane e a obrigou a acompanhá-lo. Durante a madrugada, ela foi levada por diferentes locais, sempre sob ameaça.
Regiane acreditava que, se obedecesse, seria libertada.
Mas ela não foi.
Segundo a investigação, Sérgio ab*sou Regiane três vezes durante aquele período. Na manhã de 18 de abril, depois de mais uma violência sexual, ele decidiu matá-la porque temia que a jovem o denunciasse.
Regiane foi atingida por pelo menos 13 facadas.
Os golpes foram desferidos de maneira extremamente violenta, causando um sofrimento intenso antes que ela finalmente morresse.
Depois de matá-la, Sérgio levou o corpo até uma área próxima ao Rio São Bartolomeu, em Planaltina, onde o escondeu em uma cova rasa, cobrindo-o com gravetos e uma manta.
Enquanto isso, a família procurava desesperadamente por Regiane.
Ela ficou desaparecida por dez dias, até que o corpo foi encontrado em 27 de abril, durante as buscas realizadas pelas autoridades e familiares.
E havia algo ainda mais revoltante: Sérgio já deveria estar preso quando encontrou Regiane.
Ele já acumulava uma extensa ficha criminal. Desde 2004, havia sido condenado por diversos crimes, incluindo roubos e estupro. Ao todo, eram seis condenações, com penas que, somadas, ultrapassavam 45 anos de prisão.
Mesmo assim, Sérgio estava cumprindo pena em regime semiaberto.
No início de abril de 2023, recebeu o benefício da saída temporária, mas não retornou ao presídio. Desde 2 de abril, já era considerado foragido da Justiça.
Foi nesse período, enquanto estava fora da prisão, que ele abordou Regiane quando ela voltava da escola.
Depois do assassinato, Sérgio ainda tentou fugir para a Bahia. Em 26 de abril, foi localizado em São Gabriel, no Entorno do Distrito Federal. Durante a fuga, tentou roubar um carro, mas não conseguiu levar o veículo — apenas um celular.
Ele acabou preso e confessou o crime, indicando aos investigadores onde havia escondido o corpo.
E a bicicleta de Regiane teve um destino igualmente perturbador: Sérgio a vendeu por apenas R$ 30 e usou o dinheiro para comprar drogas.
Mais de dois anos depois, em 14 de maio de 2025, Sérgio foi julgado pelo Tribunal do Júri de Planaltina.
A Justiça o condenou a 70 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de roubo, sequestro, estupro, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Regiane saiu de casa naquela noite para estudar.
Nunca mais voltou.
E o homem que tirou sua vida não era alguém que estava fora do radar da Justiça: ele já tinha uma extensa ficha criminal, estava foragido quando cruzou o caminho dela e, depois de submetê-la a horas de violência, decidiu matá-la para não ser denunciado.
















