Nomes de peso como Celso de Mello, Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Ayres Britto, Ellen Gracie e Nelson Jobim assinaram uma carta dirigida a Edson Fachin, presidente do Supremo, classificando o momento atual como a “mais aguda crise” da história do Supremo.
Eles pedem que Fachin convoque, com urgência, uma sessão pública do plenário para determinar a apuração dos fatos que, segundo o documento, estão comprometendo o prestígio e a autoridade do STF, a confiança da população e até a estabilidade das instituições democráticas.
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Quando dez ex-presidentes do STF e três ministros aposentados se unem para alertar sobre fatos que podem comprometer a confiança na Suprema Corte, o Brasil precisa ouvir.
A manifestação não vem de adversários do Tribunal. Vem de pessoas que conhecem profundamente a instituição e compreendem a gravidade do momento. Elas pedem uma sessão pública e uma apuração imediata e rigorosa sobre as mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O Brasil precisa de respostas. E precisa delas agora.
Ela era empregada doméstica e acordava às 3 da manhã. Anos depois, comandava um império do tráfico em São Paulo;
Floripes Souza de Oliveira nasceu em Alagoas e ainda criança se mudou com a família para São Paulo. Foi na periferia da capital que ela cresceu e construiu uma vida que, décadas depois, faria seu nome se tornar uma lenda na Vila Brasilândia.
Durante anos, Floripes trabalhou como empregada doméstica em casas de famílias ricas de regiões nobres da cidade. A rotina começava de madrugada.
Ela acordava por volta das 3 ou 4 da manhã, preparava o café da manhã dos patrões, passava o dia trabalhando e só depois voltava para a Brasilândia, onde seus próprios filhos permaneciam em meio às dificuldades.
A diferença entre os dois mundos fazia parte da rotina dela: de um lado, as casas luxuosas onde trabalhava; do outro, a realidade da periferia onde criava os filhos.
Até que um dia, durante uma discussão com uma das patroas, Floripes levou um tapa no rosto.
Aquilo teria sido o ponto de ruptura.
Ela abandonou o trabalho doméstico e decidiu que não voltaria mais a ocupar aquele lugar. Foi então que começou a construir uma trajetória completamente diferente.
Na Brasilândia, Floripes passou a atuar no comércio de drogas e, aos poucos, deixou de ser apenas mais uma pessoa envolvida com o crime para se tornar a mulher que comandava uma estrutura que cresceria por toda a região.
Seu principal negócio era a venda de “erva”, além de outros entorpecentes. Com o tempo, ela construiu o que ficou conhecido como um verdadeiro império de drogas na zona norte de São Paulo.
E havia uma característica que chamava atenção: Nenê comandava homens.
Ela era temida, respeitada e, para alguns moradores, também vista como alguém que protegia a comunidade. Enquanto nas ruas sua palavra tinha peso e sua violência era conhecida, dentro de casa existia uma outra versão de Floripes.
Ela era mãe e tinha regras rígidas com os próprios filhos.
Nenê educava as crianças com pulso firme e, mesmo vivendo cercada pelo crime, fazia questão de exercer autoridade dentro de casa.
Essa contradição acompanharia toda a trajetória de Nenê: uma mulher capaz de comandar um dos maiores esquemas de tráfico de São Paulo e, ao mesmo tempo, extremamente preocupada com os próprios filhos.
Relatos reunidos sobre sua trajetória apontam que Nenê chegou a unificar diferentes grupos da zona norte sob seu comando, formando uma espécie de exército próprio.
Uma das regras atribuídas a ela era que os homens que trabalhassem para sua estrutura deveriam ter pelo menos 25 anos.
Para os mais jovens, ela dizia que o caminho deveria ser outro: estudar e procurar uma vida fora do crime.
Nenê podia ser temida por sua violência e, ao mesmo tempo, ser tratada por parte dos moradores como alguém que protegia a comunidade.
Ela ajudava pessoas, resolvia conflitos e enfrentava criminosos que tentavam entrar em seu território. Por isso, ganhou apelidos como “mãe dos pobres” e madrinha das crianças.
Mas quem desafiava suas regras podia descobrir o outro lado daquela mulher.
E então veio a prisão.
Sua influência chegou até dentro da prisão, onde era considerada uma figura de peso e mantinha uma reputação que ultrapassava os muros do Carandiru.
Ela chegou a protagonizar uma fuga que se tornou uma das histórias mais conhecidas de sua trajetória. Depois de anos presa, conseguiu escapar do Hospital das Clínicas com a ajuda de uma comparsa.
Quando voltou para a Brasilândia, foi recebida como uma celebridade.
Houve festa, samba e uma multidão comemorando sua liberdade. Naquele momento, Nenê prometeu que não voltaria mais para o crime.
Mas ela não conseguiu cumprir a promessa.
Nos anos seguintes, começou o que ficou conhecido como seu “segundo reinado”. Seu poder e sua influência aumentaram novamente, e ela passou a circular não apenas entre criminosos, mas também entre pessoas ligadas à polícia e à política.
Sua influência chegou ao ponto de participar de articulações políticas e conseguir votos por meio de ameaças e boca de urna armada.
Quanto maior ficava seu poder, maior também era o número de pessoas que queriam vê-la desaparecer.
A década de 1980 trouxe mudanças no mundo do crime e o tráfico de cocaína começou a ganhar cada vez mais espaço. O império de Nenê também passou a enfrentar novos inimigos.
Em 1989, Floripes Souza de Oliveira foi assassinada em frente à própria residência. Ela tinha 44 anos.
Há relatos que apontam para vingança envolvendo policiais, outros relacionam o assassinato à disputa pelo tráfico.
Para alguns moradores da Brasilândia, ela ficou na memória como uma mulher que ajudava e protegia a comunidade. Para outros, como uma criminosa cruel e perigosa.



























